5.3.2007
Homenagem
Não é fácil falar sobre as atividades profissionais do Prof. Rotberg; um currículo vastíssimo, publicou cerca de 200 trabalhos de pesquisa e divulgação, destacou-se como professor universitário, pesquisador e médico dermatologista, atividade que exerceu até os 90 anos. Ainda estudante estagiou no Sanatório Padre Bento do antigo DPL ( Departamento de Profilaxia da lepra).Durante este estágio realizou um trabalho sobre a reação de Mitsuda que resultou em sua tese de doutoramento. Em 1934 foi nomeado médico do Hospital Padre Bento onde continuou seus estudos sobre a reação de Mitsuda praticada em 1529 pessoas (doentes e sadios) o que o levou a propor a existência de um fator genético “natural” (Fator N) de resistência e uma “Margem Anérgica” de predisposição à doença. Em 1967 assumiu a Diretoria do DPL a convite do então Secretário de Estado da Saúde Prof. Walter Leser. Neste cargo fez transformações radicais. Suspendeu o isolamento compulsório dos doentes, abriu as portas dos antigos asilos colônias a quem quisesse sair para tratamento ambulatorial. Propôs nova terminologia substituindo a palavra LEPRA por Hanseníase e derivados. Nesta ocasião várias Secretarias de Saúde e escolas médicas adotaram a nova nomenclatura. Ele continuou sua luta pela mudança de nome da doença até que em 1995 a nova nomenclatura tornou-se oficial na administração pública por lei assinada pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso e pelo então Ministro da Saúde Prof. Adib Jatene. Esta nova nomenclatura teve por objetivo combater o estigma que acompanhava os doentes de lepra. Em 1969 criou a revista “Hanseníase Resumos e Notícias” que publicava resumos dos trabalhos científicos sobre a doença na língua original dos artigos, em português e em inglês, o que possibilitava aos pesquisadores nacionais o acesso à literatura especializada. Outra grande criação do Prof. Rotberg foi o periódico “Hansenologia Internationalis”, que aceitava trabalhos escritos em português, espanhol, italiano, francês e inglês e era indexado, atualmente é publicado pelo Instituto Lauro de Souza Lima com financiamento da Fundação Paulista Contra a Hanseníase. Quando completou 90 anos a Fundação Paulista Contra a Hanseníase prestou-lhe uma homenagem e pediu-lhe dados biográficos, ele forneceu-os manuscritos e acrescentou no final:“ O resto fica para o necrológio”, mostrando seu espírito jocoso. Quando se apresentavam dificuldades, falta de verba para as revistas, risco de perder a indexação ele colocava óculos cor de rosa e, parafraseando o professor Pangloss do “Cândido” de Voltaire, dizia: “La vie en rose. Tout va bien dans le meilleur des mondes”. Sua próxima meta seria “A luta contra o leprostigma”, mais um neologismo de sua autoria. Este grande nome da Hansenologia nacional e internacional faleceu em 01/11/2006.
Dra. Teresa Anselmi Estrella Kliemann

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